quarta-feira, 17 de março de 2010
Questão de Ponto de Vista
Ser menor do que a média dos adultos já é uma questão que me faz ter que me adaptar a um mundo onde transportes públicoa, caixas de banco, armários planejados e outros tantos detalhes do cotidiano são difíceis de serem alcançados pelas minhas pernocas pequeninas.Vivo na ponta dos pés (porque é assim também que faço para beijar os meus namoradinhos), mas, seja na ponta dos pés, seja com a ajuda de um banquinho, o importante é que eu chego lá e consigo fazer as coisas a que me propus. Mesmo tendo que erguer um pouquinho mais a cabeça no cinema, mesmo caminhando em passos proporcionais ao tamanho de minhas pernas, tudo isto não me faz menor... E é louco como alguns centímetros a menos fazem a incrível mágica de as pessoas enxergarem também alguns pontos a menos no QI,alguns anos a menos na idade mental, menor responsabilidade, menor credibilidade e, consequentemente, menos respeito recebido...E menos beleza porque diminuir o valor do outro como ser humano, torna impossível enxergar suas qualidades e admirá-lo por dentro (com todas as coisas bacanas que um ser humano tem a oferecer) e por fora (porque é complicado enxergar beleza no que é diferente e não há parâmetro para encaixar o diferente no senso comum). Questão de Ponto de Vista, né! Lidar com as pequenas adaptações do dia-a-dia é fácil de resolver: ok, nada que um banquinho e um pouco de alongamento não resolvam. Lidar com as perspectivas e "pré conceitos" do outro e interagir, se posicionar diante do rótulo insistente do "menos", aí sim, é o verdadeiro desafio porque não se pode mudar a cabeça de alguém, tenho que mudar a maneira de lidar com estes estigmas. Modificar minha postura diante do preconceito, assumir, sim, minhas virtudes, meu direito de ser bela com as minhas características, meu direito de ser ouvida, respeitada, "considerada" como pessoa, esse é o Ponto! Quem tiver olhos para ver...que veja...
quarta-feira, 3 de março de 2010
Em Suspensão
Bom...Tem dias em que a gente se pega pensando que a vida está em estado de suspensão. É como se um único fato paralisasse todas as minhas ações. Um gesso na perna pode alterar um pouco a minha rotina? Pode! E isso causa certa irritação...Pequenas ações do dia-a-dia ficam mais complexas de serem executadas tais como: subir em um banquinho para pegar um biscoito no armário (porque um banquinho é essencial na vida de gente pequenininha assim como eu), tomar um banho (sempre leva um tempo maior porque tenho que ficar sentada com a perna prá fora para não molhar o gesso). E essas pequenas coisas geram a tal irritação que me paralisa para fazer aquelas outras coisas que não dependem de maneira nenhuma de ter ou não um gesso na perna. Tenho que escrever um texto de apresentação para um curta-metragem, tenho que refazer uma planilha de custos de uma peça, tenho que ligar na administração do meu condomínio para chamar o bombeiro para consertar a descarga do vaso sanitário, tenho que fazer uma escova no cabelo...Ufaaaa!!! Estou protelando demais para fazer essas coisas...Não entendo o porquê desta apatia...Porque parece que a minha vida está em suspensão e que o texto, a planilha, o telefonema para a adminstração do condomínio e até a escova terão que esperar até eu tirar esse gesso do pé...Mas já estou fazendo um movimento (uma luta contra esta apatia que me paralisa) e, pelo menos o texto e a escova já consegui fazer...E quero ainda terminar o restante porque, quando eu tirar o gesso da perna, a minha vida não vai recomeçar, a minha vida vai continuar e ainda terão muitas outras coisas prá resolver pela frente...
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