sábado, 20 de fevereiro de 2010

Desabafo de uma atriz

Bem...Agora vamos falar de trabalho. Sou atriz, estudei, já tenho uma estrada e ainda estou aí batalhando para chegar lá...E quando eu me refiro a chegar lá é sem hipocrisia nenhuma, porque é da natureza do ator querer o reconhecimento, ser admirado, ter sucesso na carreira, sim e (alguns podem considerar uma heresia)QUERER GANHAR DINHEIRO ATUANDO. Porque é complicada esta questão de vivermos no limbo entre o teatro profissional e o amador. Temos regras, disciplina e um trabalho profissional, mas como explicar a ausência de um piso salarial prá atores de teatro? Trabalhar por amor à arte é lindo, romântico e é importante mesmo gostar do que se faz...Mas trabalhar por amor e ter a dignidade de ser um profissional remunerado faz toda a diferença...Sou produtora também e sei que é quase tirar leite de pedra conseguir um patrocínio para uma montagem e ainda administrar o pouco recurso que chega...Mas se o camareiro não recebe, não trabalha. Se o cenógrafo não recebe, não trabalha. Mas o ator sempre trabalha, e nem sempre recebe e estes profissionais estão envolvidos no mesmo projeto. Sei que a questão é complexa e vem da de um problema estrutural que é o pouco incentivo que o empresariado recebe para investir em teatro. Já temos algumas leis, alguns projetos e vejo surgirem montagens que já oferecem esta infraestrutura ao ator. Mas ainda não é o suficiente. São muitas idéias e pouco investimento ainda. E o ator continua neste limbo porque PRECISA exercer a sua arte. Continuo, sim, amando o que faço e lutando pelo direito de receber pelo meu trabalho. Pode ser difícil e muitas vezes soar antipático dizer não. Mas é preciso e sei que, um dia, a gente chega lá...

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