quinta-feira, 6 de maio de 2010

Aprendizado

Estou aqui de novo pensando e avaliando minha história nos últimos dez anos...Cresci (ok, fiquei um pouco mais altinha, rs) cercada de cuidado e proteção em uma família "normal" (e não estou me referindo somente à estatura), uma família com pai, mãe, irmã e a avózinha doce que visitava a gente sempre e fazia meu mundo mais feliz! Na escola era a "baixinha invocada" que liderava a tchurma e fazia muita arte (o que levava a pobre da minha mãe frequentemente à sala da coordenação). Na infância tudo era mais leve e a questão da estatura não tinha esse peso todo porque sempre aprendi a não limitar minha vida pelo meu tamanho. Era uma família de cinco pessoas (basicamente, porque os outros eram os "parentes distantes" e, muitas vezes, problemáticos demais prá se conviver com eles), cheia de afeto, aconchegante e, claro, com todas as brigas, confusões
e arroubos passionais como em qualquer família de classe média no Brasil. Mas isso foi há dez anos quando eu era ainda uma garota cercada de redes de proteção por todos os lados e sem saber, sequer, pagar a conta da luz. Minha avozinha já tinha nos deixado há um tempo e, então meu pai jovem, esportista e absolutamente saudável foi levado por um aneurisma na aorta coronária assim, de repente, no dia 4 de maio de 2000. Minha mãe estava doente (diagnosticada com leucemia mielóide crônica em fevereiro) e seu quadro evoluiu para uma leucemia mielóide aguda que a levou onze meses depois de meu pai. E foi a partir daí que precisei deixar de ser uma garota e me tornar uma mulher. E não foi uma opção que eu fiz, não...Foi a falta de opção...Tive que "crescer" para sobreviver e decidi que não deixaria que mais ninguém fosse responsável pelo meu destino e me protegesse dos sofrimentos e da vida: ou eu tomava "as rédeas" da minha vida ou...não tinha mais ninguém para fazer isso por mim...Então aprendi a dirigir, me mudei para o Rio de Janeiro para batalhar DE VERDADE a carreira de atriz, terminei meu curso de inglês e "meti as caras" na vida! E não me arrependo! Pago um preço (como todo mundo paga) pelas minhas escolhas, sejam elas acertadas ou não. Mas quem paga sou eu e as escolhas são minhas...E isso me faz compreender que,realmente, eu sou maior do que meus poucos 1,36m...

2 comentários:

  1. Lindo post, pensei muito no dia 4 de maio. Parece que foi ontem, mas já faz 10 anos que tivemos que "crescer" na marra. Porém quando a gente planta a semente, ela germina. Fomos abençoados com uma família maravilhosa, e do nosso jeito estamos levando a história adiante.
    bjs da sua irmã,
    Luciana

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  2. Sentado na cadeira de rodas, certamente, sou mais baixo que vc... e sempre vi o mundo assim, em outra perspectiva... Ser feliz, realizado, conseguir conquistar o que quer, não guarda relação nenhuma com características físicas... Siga apostando em vc... a de ganhar, com certeza! ;)

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